O projeto Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade das Florestas do Noroeste de Mato Grosso, executado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), será um dos expositores na Biofach – Exposustentat. O evento, que é considerado o maior sobre sustentabilidade da América Latina, acontece a partir desta quarta-feira (28.10) e se estende até o dia 30 de outubro, em São Paulo.
O projeto visa incentivar um modelo de desenvolvimento regional por meio do uso sustentável dos recursos naturais e manutenção dos meios de vida tradicionais das populações locais. Atualmente o público alvo é composto por quatro grupos diferenciados cultural e socialmente: os povos indígenas Rikbaktsa e Zoró, os seringueiros da RESEX Estadual Guariba - Roosevelt e agricultores familiares do assentamento Vale do Amanhecer. Um representante de cada uma dessas comunidades estará participando do evento, inclusive nas rodadas de negócio previstas .
Um destes espaços é a Sala Andes Amazônia, que reúne empreendimentos em sociobiodiversidade. Segundo a coordenadora nacional do projeto pela Sema e superintendente de Biodiversidade, Eliani Fachim, “a participação destes representantes no evento tem grande importância na troca de experiências, na aprendizagem e no fortalecimento do trabalho que está sendo realizado, o que indica a grande relevância da manutenção da valorização da floresta para o Estado de Mato Grosso e para estas comunidades”.
Além da castanha, outros produtos, como a borracha, têm sido trabalhados com estes povos e comunidades. Por meio da parceria com a empresa Michelin do Brasil, índios e seringueiros vislumbram a possibilidade de diversificar sua produção por meio do beneficiamento do látex e comercialização garantida de toda produção. Outras cadeias produtivas potenciais na região tem sido estudadas e discutidas com os grupos do Programa Integrado da Castanha (PIC), dentre elas o óleo de copaíba e o artesanato.
Nestes sete anos de projeto já foram comercializadas cerca de 840 toneladas de castanha e sessenta coordenadores da castanha capacitados. Para o beneficiamento desta produção foram construídos barracões de armazenamento e mesas de secagem. No Assentamento Vale do Amanhecer, em Juruena, foi implementada uma unidade de beneficiamento de castanha-do-Brasil.
CONHEÇA OS PARCEIROS
Cooperativa dos Agricultores do Vale do Amanhecer (COOPAVAM)
As 250 famílias de agricultores familiares do Assentamento do Vale do Amanhecer aprendem a conviver com a floresta por meio da implantação de sistemas agroflorestais, do manejo de Produtos Florestais Não-Madeireiros (PFNM) de sua área de reserva legal coletiva e do beneficiamento da castanha-do-Brasil.
Principal produto: castanha-do-Brasil em amêndoa, sacos aluminizados com 20 kg, embalagens de 100, 200, 500 gramas e 1 quilo.
Contatos: mail: coopavam@hotmail.com / Tel: (66) 3553-1690
Associação dos Seringueiros dos Rios Guariba e Roosevelt - ASGR
Remanescentes dos soldados da borracha, essa população tradicional habita há mais de 120 anos a região dos Rios Guariba e Roosevelt. São 300 pessoas distribuídas em 40 colocações, os únicos seringueiros reconhecidos de Mato Grosso, que mantém preservada uma área de 138 mil hectares na RESEX Estadual Guariba Roosevelt.
Principal produto: castanha-do-Brasil seca, polida e selecionada em sacos de 60 kg.
Contatos: resexguaribaroosevelt@hotmail.com / Tel. Sema Aripuanã: (66) 3565-2448
Associação do povo indígena Zoró - APIZ
Os Zoró habitam uma área de 355,789 mil hectares, com uma população de 625 pessoas distribuídas em 24 aldeias. Eles se destacam na busca de alternativas a exploração madeireira ilegal, notadamente com o manejo e comercialização da castanha-do-Brasil e tem influenciado outros grupos Tupi da região.
Principal produto: castanha-do-Brasil seca, polida e selecionada em sacos de 60 kg
Outros produtos: Jóias da floresta, artesanato indígena
Contatos: povozoro@hotmail.com / Tel. (69) 3424-7213
Associação do povo indígena Rikbaktsa - ASIRIK
Os Rikbaktsa possuem uma população de 1.500 pessoas e 34 aldeias distribuídas em três terras indígenas ao logo do rio Juruena, somando 401, 383 mil hectares. Esse povo se destaca pela iniciativa de construir alternativas de geração de renda e gestão territorial pautadas na manutenção da floresta em pé.
Principal produto: castanha-do-Brasil seca, polida e selecionada em sacos de 60 kg
Outros produtos: Cernambi Virgem Prensado CVP (látex); Jóias da floresta, artesanato indígena
Contatos: povorikbaktsa@hotmail.com / Tel. FUNAI Juína: (66) 3566-6115
A programação encontra-se em http://www.exposustentat.com.br/09-portprog.htm
Fonte: ANDRÉ ALVES - Especial para Sema-MT